07/03/2017

Ministério da Saúde amplia público-alvo de seis vacinas neste ano

O Ministério da Saúde anunciou nesta sexta-feira (3) mudanças no Calendário Nacional de Vacinação. As alterações, já válidas em todos os postos de saúde, ampliam o público-alvo de seis vacinas: tríplice viral, tetra viral, dTpa adulto, HPV, meningocócica C e hepatite A. Segundo a pasta, o objetivo é aumentar a proteção de crianças e adultos e diminuir a incidência de algumas doenças no país, como caxumba e coqueluche.

Para as crianças, as mudanças ocorrem nas vacinas contra hepatite A e a tetra viral, que protege contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela. Em ambos os casos, a vacina passa a ser disponibilizada para crianças com 15 meses a até cinco anos -antes, a idade máxima era de até dois anos. "Não estamos dando uma dose a mais, e sim uma chance extra para quem perdeu a oportunidade de se vacinar", explica a coordenadora-geral do PNI (Programa Nacional de Imunizações), Carla Domingues.

O novo calendário também estende a vacinação indicada para adolescentes e adultos. É o caso das vacinas contra o HPV e meningite C, que passam a ter o público-alvo ampliado entre os mais jovens. Antes, a vacina contra o HPV era indicada apenas para meninas de 9 a 13 anos. Desde o início deste ano, no entanto, a imunização está disponível também para meninos de 12 e 13 anos e meninas de até 14 anos.

Também passam a receber a vacina homens e mulheres com baixa imunidade (como transplantados e pacientes oncológicos) e homens vivendo com HIV e Aids entre 9 a 26 anos –até então, a vacina era indicada apenas para mulheres com HIV e Aids. A alteração visa aumentar a proteção de pessoas cujo sistema imunológico é mais suscetível a problemas graves.

Adultos

Para os adultos, o Ministério da Saúde altera a faixa etária recomendada para oferta de duas vacinas: dTpa, que protege contra difteria, tétano e coqueluche; e a tríplice viral, indicada contra sarampo, caxumba e rubéola. Assim como corre para as crianças, não há a inclusão de doses extras, mas sim ampliação no momento indicado para oferta das doses. Antes recomendada para grávidas entre a 27ª e 36ª semana de gestação, a dTpa passa a ser ofertada mais cedo e por um período mais longo: a partir da 20ª semana ou no puerpério, ou seja, até 45 dias após o parto.

O objetivo é aumentar a proteção dos bebês e mães contra coqueluche, cujos casos vêm crescendo no país. "Com isso fazemos com que o bebê já nasça com anticorpos maternos", afirma Domingues. Segundo a coordenadora, caso as mães não consigam vacinar a tempo durante a gestação, a vacina pode ser administrada também no período após o parto. "Neste caso, não haverá transmissão de anticorpos da mãe para o filho, mas isso evita transmitir a doença para o recém-nascido."

O esquema vacinal para adultos também muda em relação à tríplice viral. Até então, a vacina era ofertada em duas doses, uma na infância e outra até os 19 anos, ou em uma dose de 20 a 49 anos. Agora, haverá a oferta desta segunda dose até os 29 anos ou de uma só dose de 30 a 49 anos. De acordo com Domingues, a mudança ocorre devido à ocorrência de novos surtos de caxumba em 2016 e à necessidade de manter o país livre de outras doenças, como sarampo. "Temos ainda países onde doenças como o sarampo são endêmicas. À medida que temos grande circulação de pessoas, se não temos a população devidamente vacinada, essas doenças podem voltar a acontecer", diz.

O Ministério não informou quantas doses extras devem ser disponibilizadas. Segundo o ministro Ricardo Barros, a ampliação ocorre após economia de R$ 66 milhões e negociação para redução no preço das vacinas com os fabricantes.

Fonte: Folha de S.Paulo