03/12/2015

Longevidade sem segredos: para viver mais e melhor é preciso começar a cuidar desde cedo

Cinquenta e sete por cento dos brasileiros com mais de 18 anos estão acima do peso; 6,2% têm diabetes e 21,4%, hipertensão. Os que têm colesterol alto já somam 12,5% da população adulta; 1,8% têm Câncer e 7,6% receberam diagnóstico de depressão por profissional de saúde especializado em doenças psiquiátricas. Para agravar as estatísticas, 24% ingerem álcool, 46% são insuficientemente ativos e 15% fumam. Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde, divulgada recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Ministério da Saúde. Esse é o retrato mais recente da saúde dos brasileiros, mas, por trabalhar com a percepção das pessoas sobre sua condição, eles sugerem que o cenário seja ainda pior.  

Os números de nossas doenças crônicas e do nosso descuido com a saúde só sobem. Paradoxalmente, nossa expectativa de vida também. A cada ano, vivemos de três a quatro meses mais. A tecnologia e os avanços na medicina contam, assim como uma maior conscientização sobre a importância de promover cuidados e prevenir doenças. Mas falta muito para que tudo caminhe como realmente deve ser: doenças em queda, expectativa de vida em alta. Para ter saúde na velhice, na meia-idade, na adolescência e mesmo na infância, é preciso investir hoje para usufruir também no futuro. Mas não há receitas mágicas. Saúde exige investimento, mas também um pouco de sorte, ou pelo menos uma herança mais favorável.  

Para o doutor em envelhecimento e saúde pública Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional da Longevidade no Brasil, da Aliança Global dos Centros Internacionais da Longevidade e ex-diretor do Departamento de Envelhecimento e Saúde da Organização Mundial de Saúde (OMS), envelhece bem quem acumula, durante toda a vida, quatro capitais: saúde, conhecimento, rede de relações e dinheiro. Quando se tem tudo isso é porque se juntou tudo o que era importante para participar integralmente da sociedade. “As pessoas estão chegando aos 70 anos com a percepção de que tudo isso é importante e estão começando a dizer para os mais novos que eles precisam se virar para também chegar bem aos 70”, acredita o especialista.  

Muitos chegarão bem à maturidade, outros não. Alguns não conseguirão por ter uma carga genética determinante de uma doença crônica, ou porque foram pobres por toda a vida, ou porque tiveram uma personalidade que não promoveu as relações sociais. Mas para Kalache, os que chegam bem, necessariamente, são os que tiveram boas oportunidades desde o início e investiram no futuro. “Aquele que teve menos acesso durante toda a vida vai envelhecer pior, a não ser que tenha uma personalidade tão excepcional que lhe permita dar a volta por cima”, acredita o especialista, segundo o qual a revolução da longevidade está sendo protagonizada por uma geração de pessoas com mais de 60 anos que conseguiu, lá atrás, se preparar para a vida, e não para a velhice.  

Citando Jane Fonda, Kalache compara a vida a uma peça de teatro de três atos. “Só no último os eventos do primeiro e do segundo ato começam a fazer sentido”, reflete. Como, então, garantir qualidade de vida e saúde hoje e depois? “Se quero chegar bem aos 70 anos, preciso caprichar agora para ter os quatro capitais e gozar de vida plena no futuro. Sem saúde, não só o envelhecimento, mas a vida como um todo, é muito difícil”, sugere. É fato que à medida que envelhecemos aumentam os riscos das doenças crônico-degenerativas. Se com o passar dos anos se soma uma vida marcada por fumo, sobrepeso e consumo de álcool, os riscos aumentam. “Mas se você controlar seu estilo de vida, caprichar no peso, for mais ativo e comer melhor, é possível chegar lá. ”  

Fonte: Saúde Plena