08/02/2017

Cuidados com os ossos devem começar cedo e ser contínuos

Conhecida como uma doença de idosos, a osteoporose começa a se desenvolver desde a juventude, mas só costuma se manifestar após os 50 anos. Ela é caracterizada por uma fragilidade na microarquitetura do osso, causando a perda da densidade óssea.

O reumatologista e fisiatra Arnaldo Libman, do Centro de Reumatologia Ortopédica Botafogo (Creb), no Rio de Janeiro, explica que, “quando a gente nasce, a gente faz uma ‘caderneta de poupança’ de cálcio até uns 20 e poucos anos. A partir daí, existe uma perda de cálcio natural”.

Essa substância fundamental para os ossos é obtida por meio do leite, inicialmente o materno, depois o de vaca e seus derivados, além de folhas escuras e alguns peixes. Mas não é só de cálcio que o osso precisa.

“Não adianta tratar a Osteoporose só com a reposição de cálcio. Quase sempre existe a ausência de vitamina D. E isso é muito discutido entre os médicos: como, num país tropical como o nosso, em que há excesso de sol, há ausência de vitamina D, que é metabolizada por meio dos estímulos dos raios solares? É importante informar a população sobre isso”, explica o reumatologista.

Além disso, há fatores de risco para o desenvolvimento da doença, como as mulheres. No Brasil, cerca de 30% das pessoas do sexo feminino têm osteoporose no período pós-menopausa.

No dia 20 de outubro, comemorou-se o Dia Mundial da Prevenção à Osteoporose, porque é possível prevenir essa doença que afeta cerca de 10 milhões de brasileiros, segundo a Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (Abrasso).

De acordo com o especialista, o maior problema dessa doença é que ela é uma “epidemia silenciosa” e, geralmente, só é diagnosticada após uma fratura mais grave. Muitas vezes, as pessoas nem sabem que os ossos já estavam fraturados e só vão ao médico quando sentem dores.

Mas, antes do desenvolvimento de uma osteoporose, geralmente desenvolve-se uma osteopenia. Nesse estágio, os ossos já perderam uma quantidade considerável de cálcio e, consequentemente, da massa óssea. Se tratado nesse estágio, os efeitos do tratamento são mais positivos. Se a perda dessa massa for muito profunda, a doença evolui para uma osteoporose.

O tratamento da doença é feito por meio de medicamentos específicos, que podem ser via oral ou injetável. No último caso, a vantagem é que evita a intolerância digestiva e a descontinuidade do tratamento, porque o remédio pode ser injetado uma vez ao ano ou de seis em seis meses. Junto à medicação, é importante a atividade física.

Fonte: Jornal O tempo